quarta-feira, 2 de outubro de 2013

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Era só um cigarro
Era o único que eu queria dele – um cigarro! Queria relaxar, ficar só com os meus pensamentos, mas ele não queria que ficasse só. Decidiu vir então atrás de mim. Ignorei-o, e pensei ignorá-lo durante todo aquele tempo, esquecer que ele iria ficar ao meu lado. Sentei-me no chão, comecei a fumar e ele seguiu todos os meus passos. Ficámos os dois em silêncio, tinha sido mais fácil do que eu pensava.

Era só uma pergunta
‘’Que se passa?’’ Perguntou-me quebrando o bendito silencio. Não lhe queria responder, mas sabia que se assim não o fizesse, ele continuaria a insistir no assunto. Não queria ser falsa com ele, não lhe queria dizer que não se passava nada quando se passava tudo. Mas também não queria de maneira nenhuma desabar tudo o que tentei segurar por tanto tempo.

Era só um gesto
Ele nunca tinha sido assim comigo. Eu era completamente invisível aos olhos dele. Porque é que ele me seguiu? Porque é que no meio de todos aqueles que eu confio, ele foi o único a preocupar com o que se passava na minha cabeça? Respondi-lhe então á sua resposta com essa mesma pergunta: ‘’Porque te preocupas com isso?’’

Era só uma verdade
‘’Porque talvez sou o único que no meio de todos aqueles que sempre te abraçam nos bons momentos, se preocupa realmente contigo nos maus momentos’’. Engoli a seco aquela resposta. Ele tinha razão naquilo que dizia e de repente, tudo desabou!

Era só um abraço
Aquele sim, tinha sido o abraço mais verdadeiro que tinha recebido em toda a minha vida. Era como se ele estivesse a ver comigo naquele preciso momento, todo o meu castelo de tristezas a ir abaixo de uma vez, mas como se estivesse a agarrar-me na mão para construir um novo, cheio de alegrias.

Era só um olhar
O mundo silenciou, era como se o tempo estivesse a contrarrelógio, como se naquele momento visse todas coisas a afastarem-se de nós. E eu reencontrei-me, no lugar onde nunca pensei em me procurar.

Era só um beijo
Lento, carinhoso e apaixonado. Naquele momento tudo fez sentido, todos os pensamentos, todas as ilusões, todos os sorrisos dados em vão. Agora tudo tinha explicação, tudo teve uma razão de acontecer.

Era só um momento, mas tornou-se numa doce eternidade.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Eu ainda me lembro...




Rock n’ rol, risos, uma garrafa de cerveja, charros e aqueles beijos no meio do barulho. Como eu era feliz na insegurança quando no meio de tanta gente e tão diferente tu escolhias-me para abraçar e dizer que a tua vida ficava para sempre aqui, no meio de nós. Lembro das noites passadas á volta da fogueira quando todos já não sabiam muito bem nem quem eram, o que faziam ali e tu beijavas-me com tanta ansiedade. O mundo desaparecia... Onde estou? Quem esta ali? Não importava. Tu tinhas o poder, aquele poder de me manter imóvel mesmo que viesses contra mim. A tua boca era um misto de canábis e mentiras, mas eu não me importava. Era a única que sabia as tuas verdades mais obscuras... e tu não te importavas. Eu ainda me lembro... tu disseste que era para sempre, ainda é? Porque foste embora? Voltarás? Eu modifiquei as nossas fotos de verão para tons cinza com esperança que acabassem por não passarem de recordações, mas elas continuam vivas no meu coração... e no meio de nós. Eu ainda te quero, juro! Ainda te quero como antes e todos os dias quando o sol se põe eu espero por ti com o meus shorts e camisa xadrez, como me fazias sentir rainha nessas roupas tão simples. E eu espero, sem desesperar, em pé, dançando no meio da noite porque eu sei como te sentes seguro na escuridão. O teu pensamento era tão camaleónico, ainda continua assim? Eu vou esperar por ti, sempre e o tempo que for preciso ... até a morte!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ela tem o sorriso mais alegre no rosto, mas os olhos cheios de lágrimas…

É agora! Ela sabia que este momento iria chegar mas, tal como a morte, ela tentou omitir o seu final. Ela riu, conseguiu contagiar toda a gente com o seu sorriso. Às vezes, até ela própria se conseguia enganar e pensava que aquele era o seu sorriso inocente, nascendo de novo na sua face. Ela enganou toda a gente como num crime perfeito. Ela não é feliz como te dizia ser agarrada ao teu pescoço. Vem ver com os teus próprios olhos, a sua mente é uma granada pronta a explodir sentimentos que nunca pensaste existir nela.

A farsa caiu de vez, acabou o seu reinado, acabou a utopia. Os seus sentimentos esgotaram-se, mas se ela ainda os tivesse eu sei bem que ela se sentiria envergonhada neste preciso momento, vendo-se exposta a todas as pessoas que ela conseguiu enganar, se refugiaria nos braços dos seus cúmplices, mas é tarde. É tarde para tudo voltar atrás, tarde para mudar a sua palavra, o seu mundo, o seu destino… é tarde!

Ela decidiu sorrir, mas toda a vez que se riem dela, ela volta a chorar. 




sábado, 8 de dezembro de 2012

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E eu ainda me lembro como se fosse hoje o quanto eu era apaixonada por ele! Por cada gesto, cada sorriso, por cada respiração sincronizada com a minha. Ainda me recordo daquelas palavras que ele se ria. Aquelas que eu dizia cheias de amor e que ele as interpretava com ironia. Lembro de cada vez que ele me beijava, que chamava nomes que definitivamente não era o meu. De todas as vezes que ele me insultava e que eu lhe respondia ainda com mais amor. Eu era uma tonta, uma louca perdida que pensava que podia amar por nós os dois. E eu amava! Amava, amava e amava ainda mais só para disfarçar as marcas que ele me tinha deixado no meu coração. Eu era uma iludida, mas no meio de toda esta ilusão, eu era feliz! Não era isso que importava realmente?

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Os dez últimos desejos de Juliet Miller



O amor é a única coisa no mundo que nos poderá despertar as sensações mais estranhas e mais controversas que o ser humano pode sentir. O amor é uma doce tontearia que te faz madurar, é a doce ilusão daquilo que se pode tornar real. O amor é tornar os simples factos impossíveis em grandes realidades. Este livro trata-se se de uma compilação de desabafos para o papel que fiz ao longo de três longos anos, desde que conheci a minha mulher Juliet. Não sei quanto a ela mas quando consta a mim, foi amor á primeira vista. Nos encontrámos num simples bar e o Martini nos levou a conhecer. Juro que não era o álcool a falar mais alto mas sim o amor. Eu me apaixonei pelo seu jeito de ser, pela forma que ela fumava o seu cigarro e da forma como ela se ria das minhas piadas atrapalhadas sem graça nenhuma. Não ficamos com o contacto um do outro, nem se quer sabia qual era o seu nome, mas depois de três longos anos de ilusões por ela a encontrei de novo, desta vez num lugar mais depressivo: No hospital! Eu era e sou ainda médico e, quando me disseram que havia uma mulher que tinha de examinar de urgência e quando vi a sua foto na ficha de inscrição, não queria acreditar! Tratava-se da mulher que eu mais amava neste mundo que, o enfermeiro me acabara de dizer que tinha poucos meses de vida devido a um cancro. Passei os meus últimos meses com ela e cada vez mais me apaixonava pelo seu ser. Desde o primeiro dia que a vi que sabia que ela era corajosa, nem a morte lhe fez frente. A vivacidade com que ela me encarava todos os dias na consulta era contagiante. Das consultas passamos aos jantares, dos jantares aos passeios á beira-mar e dos passeios á beira-mar ao namoro. Uma coisa que aprendi com a minha profissão é que nós podemos dar uma estimativa de quanto tempo a pessoa irá durar aqui na terra, mas só os pacientes sabem o momento exacto da sua morte. Está dentro deles e ela sentiu isso mesmo uma semana antes. Pediu para que eu passasse toda a semana com ela e assim o fiz. Até que um dia ela me disse que não queria morrer sem antes se sentir casada comigo. Ela própria me pediu em casamento. Comprou as alianças, fizemos juras de amor, mesmo sem padre, convidados ou vestidos de noiva e smoking. Apesar de não ter sido nada registado em um papel para se poder dizer que era oficial, sentia-me seu marido e ela minha esposa. Sei que ela sentia o mesmo. Passámos a lua-de-mel na minha casa, já que não era conveniente sairmos da cidade. Nessa mesma noite ela me disse algo, agarrada a mim, que me tocou no coração: ‘’Sabes, morro feliz porque sei que acabei por ficar contigo para sempre, já que o meu sempre está prestes a terminar.’’ Nessa mesma noite, não preguei olho só para digerir umas quantas vezes aquela frase, simplesmente fiquei contemplado ao vê-la dormir, até que entendi que ela tinha adormecido para sempre nos meus braços. Não senti pavor nem tive traumas desse facto da minha vida, muito pelo contrário. Senti-me lisonjeado por tê-la acompanhado até ao último segundo da sua vida. Apesar da tristeza falar mais alto, claro. Hoje, passados cinco anos de tal acontecimento, decidi publicar este livro em sua memória, mas também como uma esperança de que ela leia este livro e me reencontre. Acredito imenso na reencarnação e sei que Deus a quer ao meu lado. Sei que ela está em qualquer canto deste planeta. E sei que mal ela leia este livro, vai sentir emoções tão fortes e inexplicáveis como senti-mos quando o nosso destino era ficarmos juntos. Este é um grito desesperado em forma de palavras de quem procura o seu não único amor, mas sim o seu único amor verdadeiro.