quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sobre|viver

Não acredito na sorte e nas coincidências,  ou pelo menos esforço-me bastante por não acreditar. Prefiro ter fé no Destino e que tudo tem uma razão de acontecer, mesmo que por vezes duvide da minha própria teoria. Assusta-me pensar que a vida pode ser tão simples ao ponto de ser feita por meros acasos e que a minha vida poderia ter levado qualquer outro rumo.
Prefiro acreditar que existe uma razão para os meus fracassos e para as minhas vitórias. Para os que hoje estão na minha vida, para os que já foram e para os que um dia me irão abandonar.
Foi esta a fórmula que criei para não temer a vida.

Os nossos medos podem ser ultrapassados quando descobrimos qual a razão de eles existirem,  certo?

Ninguém pode ter a certeza do que realmente é a vida e muito menos de qual é a maneira mais feliz e perfeita de a viver. Independente das razões que apresentamos ou das histórias em que acreditamos, são elas que nos iludem a pensar que vida é uma certeza absoluta quando na realidade, ela não passa de uma ilusão.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

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Recuso-me a acreditar que haja vida depois de Ti.



Não acredito que haja, ou que algum dia irá existir, um sorriso igual ao Teu – tão perfeito. Não acredito que mais alguém tenha o privilégio de poder nascer com uma voz igual à Tua e muito menos com um olhar igual ao Teu – tão único.

Não acredito que alguém consiga ver o mundo como Tu o vês e não acredito que algum dia haja uma emoção tão forte como a de Te conhecer



de Te poder olhar,

                                            de Te poder ver sorrir,

de poder sentir a Tua pele...



Depois de Ti, as pessoas continuarão a olhar outros rostos, irão conhecer outras pessoas e outras visões do mundo mas simplesmente irão sobreviver. Nunca mais irão ter o privilégio de se sentirem vivas.



Tu és a vida, és o núcleo, a essência. Tu és o segredo que o mundo escondeu à vista de qualquer olhar que tenha a sorte de passar por Ti.




Tenho a certeza que qualquer pessoa que tenha o privilégio de Te encontrar saberá pela primeira vez na vida, qual o verdadeiro significado de estar viva.



Recuso-me a acreditar que haja a minha vida depois de Ti












e talvez até tenha razão.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Causa(dor)

Tenho saudades de te ver chegar. Tenho saudades de sentir saudades tuas mas de ter a segurança que algum dia elas iriam acabar. Hoje vou acumulando saudade e quem sabe para sempre. Tudo porque ninguém me avisou no dia em que te conheci que algum dia teria que te esquecer. Talvez ninguém teve a coragem de estragar a minha felicidade ou talvez fosse tão óbvio, que toda a gente estava à espera que te esquecesse fácilmente.
É difícil esquecer as sensações tão surreais que me fazias sentir.
É difícil esquecer a forma como acreditei mais uma vez no que é inacreditável para mim.
É difícil esquecer a forma como mudaste para sempre a minha forma de encarar a vida, desde o primeiro dia em que te conheci.
É impossível esquecer uma pessoa como tu,
perfeita de mais para este mundo.
Sinto como se nunca mais fosse capaz de sentir algo tão grande como senti por ti mas sinto-me tão grata por ter tido o privilégio de poder ver o teu sorriso divino a esboçoar-se por e para mim.
Dava tudo por mais um soriso teu,
por um último.
Todos os dias meto na minha cabeça preciso de fazer a despedida de algo que nunca começou. Preciso de seguir em frente, ainda tenho tanto a percorrer...
Sempre irás pertencer à melhor parte de mim e todas as fracções de segundo que estive na tua presença serão o melhor sonho que tive em toda a minha vida.
Se as lágrimas que me escorrem sem permissão pelo rosto e o aperto que sinto no meu coração são a paga por todos os momentos que me proporcionaste, então devo de dizer que me sinto feliz por sofrer todos os dias por ti. É a prova de que tudo valeu a pena para mim.
Há muito tempo que nada valia a pena na minha vida quando chegaste.
O despertador toca,
outro dia,
a mesma rotina de sempre,
tenho de acordar.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Comédia&Tragédia

Transformámos o mundo numa autêntica peça de teatro! Não estamos permitidos a fazer ensaios, todas as cenas são improvisadas e quem tem a melhor máscara é quem normalmente ouve mais palmas no final.
Tornámonos obcecados por holofotes que nada mais fazem do que proporcionar uma falsa segurança de que somos o centro das atenções. Toda a gente anseia pelo seu momento de fama, mesmo inconscientemente. Queremos nos sentir seguros, amados e odiados, mas nenhum de nós quer ser indiferente ou passar despercebido quando as luzes apontarem para nós.
Ficamos doentes por um pouco de inspiração. Por algo que nos faça sentir verdadeiros artistas, algo que nos cative a mente à primeira vista. Se nós nos interpretamos como pequenos (grandes) Deuses, então a arte será o nosso pecado.
Vivemos no mundo faz-de-conta e aparentemente não estamos muito preocupados com isso. Fingimos não ver a tragédia, mas ficamos de olhos vidrados na comédia.

E no final, todos nós queremos uma ovação por termos resistido com os pés firmes no palco durante toda a peça.

domingo, 22 de março de 2015

Angélica ♡

- Não me vou permitir chorar, eu sou forte! - Mentalizou-se Angélica, antes de se aperceber que as lágrimas já lhe escorriam pelo rosto. - Tola! - Repreendeu-se em voz alta enquanto se ria de si mesma, olhando o espelho que a enfrentava naquele minúsculo espaço que era o seu quarto. - Tola, tola, tola! - Tentou encontrar algum sítio onde não pudesse ver o seu reflexo. Aquele espelho a fazia sentir bela e vaidosa toda a vez que se arranjava para sair, mas era o primeiro a julgá-la nos seus momentos de fraqueza.

Percebeu então o quão forte podia ser aquele sentimento que, mesmo depois de tudo estar terminado, ainda não tinha a certeza se lhe podia chamar de amor. Sempre ouvira dizer que ficar apaixonada era algo realmente bom. Era um verdadeiro motivo para acordar todos os dias de manhã,  disposta a enfrentar o mundo. Se aquilo fosse realmente amor, não devia magoá-la e muito menos fazê-la sentir como se este, tivesse mais poder sobre o seu corpo do que ela própria.

Normalmente o ser humano é capaz de associar tudo a esse mesmo sentimento: se vemos uma cena romântica num filme - daquelas de cortar a respiração -, imaginamos automaticamente como seria, se fossemos nós e a pessoa por quem estamos apaixonados os protagonistas. Se estamos numa esplanada de algum café e de repente avistamos numa mesa ao lado, um casal feliz por ver o seu filho a dizer as primeiras palavras, suspiramos ao imaginar como era mágico ver a nossa paixão babada com um fruto desenvolvido do nosso amor. Se ouvimos uma música lamechas no rádio enquanto estamos parados no trânsito, desejamos automaticamente ouví-la enquanto estamos nos braços daquela pessoa, seguras de que não existe nada mais importante no mundo do que aquele momento. É algo que vem do instinto do ser humano e por mais que Angélica desejasse ser diferente, ela sabia que era difícil contrariar as leis da vida.

Quando tudo acaba, temos de tentar ao máximo separar o sentimento que colocamos nessas simples coisas, que sempre aparecem de surpresa na nossa rotina diária. Se assim não o fizermos, estamos sujeitos a ser assombrados pelos fantasmas de todas as ambições, desejos e alegrias que tinhamos direito a desfrutar outrora.

Angélica pensava que era forte o suficiente para superar tudo isso, mas assim que aquela música ecoou entre as paredes do seu quarto, percebeu que ela já estava enraizada em demasia a um só rosto e a um só nome: Afonso. Bastava ouvir esse mesmo nome em qualquer lugar para que ela fizesse todos os esforços para encontrar o mais pequeno sinal da sua presença, mesmo sabendo que estava a ser patética. Já passaram dois meses desde que ele se mudou para Londres e ela ainda não encontrou maneira de explicar gentilmente ao seu coração que ele se foi embora para sempre.

Tudo na sua rotina pedia um pouco dele, mesmo que ela nem sempre se apercebesse. Desde apanhar o cabelo numa trança, a tentar ter mais calma com as suas colegas de quarto, como ele recomendara. Ela sabia que se Afonso ainda estivesse com ela, ele iria se sentir feliz por saber que ela ainda segue os seus conselhos. 

Era escusado, ou pelo menos era essa a forma como ela encarava aquela situação. Talvez ela estivesse destinada a ter um só rosto em sua mente, um só nome nos seus lábios e um só sentimento no seu coração.

Voltou a enfrentar o espelho. Reparou que estava a usar aquela camisola que ele lhe tinha dado no primeiro dia de S. Valentim que passaram juntos. Não combinava de todo com o estilo dela. Estavam juntos há muito pouco tempo quando Afonso a comprou e ele ainda não a tinha descoberto o suficiente para conhecer os seus gostos. Aliás, Afonso não tinha senso nenhum de moda ou estilo e Angélica estava segura que esse tinha sido um dos motivos que a fez apaixonar por ele. Mesmo com o seu estilo tão simples e despreocupado, ele conseguia ser o rapaz mais estiloso que alguma vez passou por aquela faculdade.

Últimamente, aquela era a sua camisola favorita. Usava-a vezes sem conta e sem se quer se aperceber o porquê de o fazer. Tanto aquela camisola, como tudo aquilo que o recordava, eram vestígios que ele existiu na sua vida e de que eles existiram. Concluiu  então que por mais que ele já não estivesse em Portugal, ela nunca estaria preparada para o deixar ir embora de vez. Ela sabia que era o verdadeiro lar de Afonso, mas não a sua casa.

- E se te deixar ficar? - Perguntou ao seu próprio reflexo, olhando nos seus próprios olhos. - Até quando vou conseguir manter a minha sanidade mental?